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Dia da mulher: teresinenses destacam luta pelo sustento da família, pela igualdade no trabalho e pelo direto a se sentir segura

Dia da Mulher: teresinenses destacam luta pelo sustento da família O Dia Internacional da Mulher é celebrado neste domingo (8). Na data, reconhecida oficialme...

Dia da mulher: teresinenses destacam luta pelo sustento da família, pela igualdade no trabalho e pelo direto a se sentir segura
Dia da mulher: teresinenses destacam luta pelo sustento da família, pela igualdade no trabalho e pelo direto a se sentir segura (Foto: Reprodução)

Dia da Mulher: teresinenses destacam luta pelo sustento da família O Dia Internacional da Mulher é celebrado neste domingo (8). Na data, reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o g1 ouviu mulheres que trabalham no Shopping da Cidade, em Teresina, sobre as trajetórias marcadas por lutas e conquistas. Ao longo desses 51 anos, as mulheres avançaram em diversos direitos. Hoje, a realidade de muitas é atravessada pela responsabilidade de sustentar a própria família. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp LEIA TAMBÉM: Violência contra a mulher no Piauí cresce 17,6%; parceiros são autores de 76% dos feminicídios, diz relatório É o caso de Doralice Moraes, de 47 anos. Entre uma costura e outra, ela contou que trabalha desde os 17. Mãe solteira, foi com o trabalho manual que a mulher sustentou, sozinha, a filha que hoje cursa biomedicina. "Eu criei ela sozinha, em vários trabalho, em fábricas, vendendo roupa e depois trouxe uma máquina para cá. Estou aqui há 10 anos", disse. A costureira deseja que a filha não enfrente as mesmas dificuldades que ela enfrentou. "Queria que os governadores olhassem mais para as mães que batalham só, até para aquelas que tem esposo, mas são os pilares da casa. Ainda tem muitas barreiras", afirmou. Durante o dia, Jéssica da Costa Silva, 32 anos, trabalha como vendedora. À noite, canta para aumentar a renda. Ela começou aos 15. Mãe de quatro filhos, sendo o mais novo autista, enfrentou dificuldades para conciliar trabalho e maternidade. “Meus filhos nasceram um perto do outro. Fiz cesariana e voltei a trabalhar ainda no resguardo. Tive dificuldade para encontrar alguém que cuidasse das crianças. Sou mãe, trabalho e me sustento”, relatou. Apesar dos desafios, Jéssica disse que a maternidade a transformou. “Ser mãe de quatro crianças não é fácil de organizar, mas é maravilhoso”, disse. Segurança há 14 anos, Raquel Rios Ferreira, 51 anos, é a única mulher na equipe de seguranças do Shopping da Cidade. "As pessoas acham que a gente não é capaz, que somos frágeis, mas ao mesmo tempo temos uma força muito grande. Eu me considero uma mulher muito forte e de coragem", afirmou. Dia da mulher: teresineses destacam luta pelo sustento da família, pela igualdade no trabalho e pelo direto a se sentir segura Ananda Soares/ g1 Piauí Assédio e medo O medo também é um incômodo constante na rotina de muitas delas. Em 2025, o Piauí registrou pelo menos 2.045 casos de violência sexual contra mulheres: sendo 664 importunações sexuais, 341 estupros e 1.040 estupros de vulnerável, o equivalente a dois abusos por dia, segundo a Secretaria de Segurança do Estado. A jovem Maria Luana Marques, de 23 anos, relatou que a maior dificuldade que enfrenta é lidar com o assédio diário. "É o medo de sair com certas roupas na rua porque alguns homens não conseguem respeitar", disse. Vendedora em uma loja de roupas, ela contou ainda que sente receio até mesmo de demonstrar cordialidade no ambiente de trabalho. "Tem o medo de ser simpática e confundirem o profissionalismo com confiança", afirmou. Além do medo da violência sexual, o número alarmante de casos de feminicídio também preocupa. Dados da SSP-PI apontam que 37 mulheres, entre 15 e 77 anos, foram mortas no estado. Para a empresária Isabel Maria Riveira, o apoio entre mulheres é importante no enfrentamento à violência. “Me entristece ver que estamos nos perdendo com o feminicídio e que há mulheres que julgam as outras. Mulheres perdem a vida, são maltratadas e colocadas como culpadas. Nós não somos culpadas e não podemos deixar isso acontecer. Temos que segurar a mão umas das outras e nos defender”, declarou. Ela também destacou a necessidade de leis mais rígidas e respostas mais efetivas para crimes contra mulheres. "Desejo que venham leis que nos defendam e que os crimes sejam de fato julgados. Nos precisamos parar de perder a vida", afirmou. Força e enfrentamento Mesmo com os desafios constantes, a força e a fé no amanhã fazem com que as mulheres continuem enfrentando o assédio e o machismo. "O que eu sempre falo para todas as mulheres é: não tenham medo, somos capazes de fazer de igual para igual. Não permitam que as pessoas façam vocês acreditarem que não são capazes. Nós somos capazes de estar nos lugares que queremos. Não somos só mães; somos irmãs e amigas”, disse. Dia da mulher: teresineses destacam luta pelo sustento da família, pela igualdade no trabalho e pelo direto a se sentir segura Ananda Soares/ g1 Piauí Conheça leis piauienses voltadas para mulheres Aviso prévio obrigatório à vítima: Sancionada em setembro de 2025, a lei nº 8.804/2025 garante que vitimas de violência domestica e familiar recebam um aviso, com até 72 horas de antecedências, sempre que houver uma decisão judicial que relaxe, revogue ou substitua medidas protetivas de urgência aplicadas contra o agressor. Cadastro Estadual de Condenados por Violência Contra a Mulher: A lei nº 8.824/2025 determina que o estado do Piauí divulgo o nome, foto e dados processuais de pessoas condenadas por violência contra mulher. O cadastro ficará disponível no site da Secretaria de Segurança Pública do Piauí e poderá ser acessado por qualquer pessoa. Dia Estadual de Combate à Violência Doméstica: A Lei nº 6.383/2013 instituiu o dia 25 de novembro como o dia oficial de combate à violência doméstica no Piauí. Atendimento para Mulher Vítima de Violência: A Lei nº 6.421/2013 estabelece um regime especial para o atendimento de mulheres vítimas de violência no serviço público de saúde garantindo acesso gratuito a cirurgias plásticas reparadoras e acompanhamento psicoterápico, desde que comprovada a agressão e o dano à integridade física da vítima. *Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube