Exportadores de mel celebram após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifaço: 'notícia não poderia ser melhor'
Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump 'Para o setor apícola, a notícia não poderia ser melhor', disse o presidente da Associação Brasileira dos ...
Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump 'Para o setor apícola, a notícia não poderia ser melhor', disse o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir que o presidente Donald Trump "extrapolou a autoridade ao impor o amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA". Em resposta, Donald Trump informou que usará um novo instrumento legal para aplicar uma tarifa global de 10% sobre produtos importados, com efeito imediato. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Duas decisões anteriores já haviam retirado alguns itens da lista do 'tarifaço' imposto por Trump, mas o mel não havia sido contemplado. Agora, o produto e outros itens brasileiros como o café solúvel, a uva e os pescados podem ser beneficiados. Renato Azevedo declarou ao g1 que acredita que a retirada das tarifas pode destravar as negociações de compra enfrentadas pelo setor e que os efeitos da decisão podem começar a serem perceptíveis já no mês de março. "A queda traz de volta a competitividade ao mel brasileiro e nos coloca novamente numa posição de igualdade perante os concorrentes que temos. Nesse sentido, acreditamos que as negociações de compra irão, aos poucos, destravar, com nossos clientes norte-americanos voltando a fazer contratos", disse o presidente. LEIA TAMBÉM: Café solúvel, uva, mel e pescados brasileiros podem ser impactados por derrubada do tarifaço de Trump; entenda Central de Cooperativas retoma atividades após dois meses À Rede Clube, o diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), Sitônio Dantas, contou que nesta sexta-feira (20), voltou a ligar as máquinas de produção após 2 meses de portas fechadas. O grupo é formado por 840 famílias. "Durante a tarde [desta sexta], clientes norte-americanos começaram a ligar para informar sobre a decisão das tarifas. Antes disso, esses clientes estavam tentando comprar mel em países como o Chile e Argentina", disse. Sitônio contou que as últimas vendas foram concluídas no fim de 2025, a partir de contratos firmados no início do ano passado. A expectativa é retomar as exportações ainda este mês. "Depois que o tarifaço começou a valer, a situação ficou muito difícil, os pedidos não chegaram mais e pra piorar, a seca extrema afetou em cheio a produção, que teve uma queda de 35%", comentou. O diretor da Casa Apis afirmou que o momento é de avaliar a retomada das negociações de compra, além das condições de safra, que determinam quanto vão conseguir vender e o que pode ser implementado para melhorar a produção. LEIA TAMBÉM: Tarifaço em vigor: exportadores de mel projetam 2026 de incertezas Tarifaço ameaça renda de 40 mil famílias produtoras de mel no PI: 'sentimento de incerteza' Exportadores criticam demora no apoio do governo federal para enfrentar tarifaço dos EUA A primeira medida de isenção do tarifaço, no dia 14 de novembro de 2025, retirou a tarifa recíproca de 10%, imposta em abril, para cerca de 200 produtos alimentícios de diversos países. No dia 20 do mesmo mês, uma segunda medida foi direcionada ao Brasil, e suspendeu a sobretaxa de 40%, anunciada em julho, para mais de 200 produtos, que foram acrescentados à lista anterior de quase 700 exceções ao tarifaço. Mel liderou ranking de exportações do Piauí para os Estados Unidos em 2024 Divulgação/SAF Decisão da Suprema Corte dos EUA Por seis votos a três, a maioria dos ministros concluiu que a lei usada pelo governo não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão, enquanto Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh ficaram vencidos. No voto vencedor, Roberts afirmou que Trump precisa demonstrar uma "autorização clara do Congresso" para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte. ⚖️ O julgamento ocorreu em uma ação apresentada por empresas impactadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, em sua maioria governados por democratas, que questionaram o uso da lei para impor impostos de importação de forma unilateral. O que acontece agora? Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as tarifas de 10% ou mais que vinham sendo aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos Estados Unidos. No entanto, não são afetadas as tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, que também incluem produtos brasileiros, aplicadas com base na "Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962", uma lei voltada exclusivamente à segurança nacional. Além disso, além da derrubada de tarifas, o governo americano pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com os impostos de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 912,5 bilhões). Ainda assim, a decisão da Suprema Corte não encerra de forma definitiva a possibilidade de novas tarifas nos EUA. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube
Fonte da Reprodução:
https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2026/02/20/mel-tarifaco.ghtml